domingo, 12 de julho de 2009

Caixinha de remédios

Eu tenho uma prima da minha idade que sempre foi uma grande amiga. É dela que tenho as melhores recordações da infância e da adolescência. Na infância, ela morava numa casa de vila, no fim da rua, e quando eu chegava no portão da rua e me via do quintal de sua casa de sobrado, ela descia as escadas e saía a rua inteira correndo e gritando o meu nome até me encontrar. Isso talvez seja uns dos momentos em que eu mais me senti amada na vida.
Outra imagem que eu tenho dela é eu chegando na casa da nossa tia em Cabo Frio e ela estava em cima da árvore, olhando a vida daquele ponto de vista, muito acima da minha compreensão; eu que me achava muito esperta porque lia porcos com asas aos 12 anos. Mas ela que sempre foi muito mais rápida que eu em tudo, falou primeiro, andou primeiro, entrou na faculdade primeiro e já com o próprio negócio, tudo pronto, ela já nasceu pronta e eu nesse eterno forno. Gosto de aos poucos ir me cozinhando. Um dia eu vou para a mesa do café.
Ontem, fui lá na casa dela, tomar um cafezinho e passar o tempo, e lembrar do tempo que planejava a minha agenda com a dela; a vida mostra que infelizmente esses momentos passam. Conversamos como conversam as boas e antigas amigas, atualizando e depois apenas passando um tempinho juntas. Ela está grávida... do segundo filho... Ela realmente é rápida, eu avisei. Eu sabia que ela era casada mãe e grávida, com marido, casa de 2 quartos e um carro na garagem, sempre soube disso, mas ontem tive clareza disso. Vi que na casa dela tem uma caixinha de remédios, no banheiro, e li o nome do remédio que nunca vi na vida “Avatan”. Não era um sonrisal, uma aspirina, era uma pomada com esse nome estranho. Ela tem a sua própria caixinha de remédios, a minha prima é uma mulher adulta, meu deus, como eu tenho orgulho dela.
Vi como é que o tempo passa rápido, logo nesse momento que em menos de uma semana faço aniversário mais uma vez. Pensei que a minha prima saiu daquela árvore e agora tem uma caixa de remédios no banheiro, e que eu continuo com o meu livrinho debaixo do braço, pelo menos, agora sei que preciso aprender mais e mais. Um dia eu tomo jeito e peço a ela para me ensinar, como ela me ensinou a subir em árvores, a ser corajosa, a xingar palavrões, a responder às pessoas. Minha mãe falava: vou descobri quem está te ensinando essas coisas e vou te proibir de falar com ela. E eu morria de medo de minha mãe descobrir que era a minha prima querida que queria e fazia de tudo para que eu crescesse com ela. Um dia eu aprendo. Um dia ela me ensina, como sempre foi na vida.

Amo você, minha querida.

domingo, 5 de julho de 2009

Solares

Barcos solares, carros solares
Canções solares de Cinema Transcendental
Ventos solares, sorrisos também.
Solar é a alegria ao meio-dia
Brindando cerveja na padaria.