Essa semana eu vi uns filmes pesadões, estilo prozac, que são lindos, fazem bem, mas vêm acompanhados de uma tristeza, diegética e extra diegética que muitas vezes te derrubam de sua posição confortável da sala de cinema. Os filmes Gran Torino e O casamento de Rachel fizeram isso comigo. Poucas vezes o cinema americano me fez pensar tanto sobre o mundo, seus rumos e suas/nossas pequenas tragédias.
No entanto, toda semana tenho aula sobre musicais, que tenta me mostrar que essa moeda chamada mundo tem dois lados, e muitas vezes me faz recobrar a fé na humanidade, cantarolando a canção final de cada filme. Confesso que musicais muitas vezes funcionam melhor que religião para me colocarem em estado de graça. Como assistir a O Casamento do Meu Melhor Amigo ou Vamos Dançar sendo minimamente romântico e não dar um suspiro profundo e um sorriso para o horizonte? Os problemas só começam depois desse suspiro, desse sorriso e voltamos para o mundo real (ou a sociedade de controle, como disse uma amiga minha foucaultiana).
Eu sempre gostei desse tipo de filme que te suspende da realidade, te coloca por alguns minutos fora de si, uma espécie de purificação das mazelas que encontramos no dia-a-dia. Tenho noção de que aliena, de que esquece o mendigo que pede esmola na porta do cinema ou das crianças que assaltam na saída, mas esse é o objetivo, te colocar por alguns momentos longe disso tudo. Longe, tão longe, tão absorta que você é capaz de acreditar que tudo aquilo pode ser verdade. Como canta Fred Astaire no fim de Cinderela em Paris “He loves and she loves so why can’t you love and I love too” coerente e convincente. Todo esse mundo de escapismo que conscientemente parece uma bobagem, um programa inofensivo depois dessas tardes lindíssimas de outono no Rio, são um verdadeiro veneno, e não um elixir para encarar a realidade. Essas bobagens românticas mexem tão profundamente com as nossas emoções, que passam a ser algo desejável e possível no universo feminino.
Romantismo, cinema e realidade, sempre foi uma questão para mim, pelo menos nos meus diários, acredito que o romantismo no cinema moldou muito da minha forma de agir, pensar e principalmente, esperar da vida. A verdade é que se cria um choque de ordem ao viver a realidade ao mesmo tempo em que estamos tão acostumadas aqueles códigos que assistimos no cinema, e desde criança, que nos levam a acreditar que o amor está em cada esquina, puro, indolor e arrebatador. Nem falo nos “filmes de princesas”, mas Tarzan da Disney, por exemplo, nos leva a acreditar num estatuto de amor e de ideal de vida, que ninguém espera ver muito num filme que gira em torno de macacos. Love is in the air, gritam e quando olhamos ao redor, só vemos pessoas, e muitas vezes as interpretações erradas ou tendenciosas levam a verdadeiras catástrofes, tendo a destruição do amor-próprio como a mais leve delas.
Pôr-do-sol, boa conversa, e, insisto, essas tardes de outono, elementos desse universo romântico, predominantemente feminino, levam pessoas iniciadas nesses códigos a interpretarem esses eventos como índices de amor verdadeiro. Aquele que o Fred Astaire canta e dança para a Ginger Rogers, aquele que a Julia Roberts já teve às dezenas, aquele que você insiste em buscar no seu presente, passado ou futuro.
Buscam-se esses signos cinematográficos na vida porque se deseja a felicidade mostrada na tela, como uma promessa de vida eterna. E as mulheres repetem, muitas vezes com as amigas, esse mantra do simbólico romântico como ideal de vida. Repetem porque “a felicidade é o desejo de repetição” como diz Kundera. Pergunto, será essa promessa de salvação romântica apenas um mito? Não será o amor romântico possível em nenhum espaço/tempo da nossa realidade?
Infelizmente não sei responder a essas questões. Acontece que não tenho a imparcialidade necessária para seguir investigando, pois sofro de um romantismo incurável alimentado pelo cinema americano, pela música, pela literatura, e que se retroalimenta no universo feminino. Só no universo feminino mesmo para se acreditar nessas coisas... por isso Lacan diz que a mulher não existe. Essas mulheres não existem mesmo....
PS: para as minhas amigas lindas e o universo feminino que construímos juntas
quinta-feira, 28 de maio de 2009
domingo, 17 de maio de 2009
Oito é o símbolo do infinito - para o filme das mulheres
Somos ao avesso, o infinito:
Universos em expansão
Agüentando a pressão
dos contornos femininos.
Universos em expansão
Agüentando a pressão
dos contornos femininos.
sábado, 16 de maio de 2009
Choque de ordem
Limparam todo o caos
que se instaurava
há tempos em mim.
De repente
acordei sem
angústias, sofrimento
ansiedade, vontade
levaram tudo na
enxurrada
e do nada
que ficou
percebi
que me levaram
também daqui.
que se instaurava
há tempos em mim.
De repente
acordei sem
angústias, sofrimento
ansiedade, vontade
levaram tudo na
enxurrada
e do nada
que ficou
percebi
que me levaram
também daqui.
domingo, 10 de maio de 2009
Dia das mães
Hoje é dia das mães e dia das mães sempre foi uma data importante na minha família. A minha bisavó Nina, a maior figura que eu já conheci e ao mesmo tempo a grande figura materna da minha mente, fazia aniversário perto do dia das mães e sempre se comemorava seu aniversário no domingo, reunia a família toda num almoço na casa da minha avó, outra grande imagem de mãe que eu tenho.
Numa data tão importante, há uns dezessete anos atrás, nossa eu to velha... Mas há anos atrás eu resolvi fazer uma grande surpresa para o dia das mães. Era uma grande coisa para mim, eu que sempre fui tímida, quieta, resolvi entregar cartões para todas as mães da minha família. Para isso, fiz uns versinhos bobos de menina de oito anos que rimava amor com flor e alguma coisa sobre mãe, mas que para mim, era um grande acontecimento, já que eu iria mostrar pela primeira vez os meus versos publicamente. Aqueles cartões de dia das mães eram a minha primeira publicação, nunca eu tinha mostrado para ninguém as coisas que eu escrevia, que naquela época, não deviam ser muitas.
Não só fiquei encarregada dos versos, mas era responsável pela concepção do agrado, e fiz todo design, que constituía em uma folha A4 que cortada ao meio (a cada folha eu fazia 2) com um coração no meio, com os versos dentro do coração, e pintei em volta com lápis de cor. Em baixo, tinham duas linhas, uma eu escrevia o meu nome e na de baixo o nome da mãe que receberia, num estilizado De Para. Estava muito orgulhosa de mim, eu não só tive coragem de me mostrar artisticamente, como assumi a minha falta de jeito para pintar e desenhar e a minha letra feia, que sempre foi um problema para mim.
Não sei que ímpeto de coragem foi esse, de me mostrar tanto de uma vez só. Eu já dançava, me apresentava em vários lugares com “as meninas do Jazz”, mas não tinha coragem de mostrar nada além do meu rebolado, mas naquele ano, seria diferente, fui com a cara e a coragem e sem medo de ser feliz ou usar clichês. O poema era “Mãe, nome de amor, mulher de magia, e toda mãe é uma flor”. Ou alguma coisa parecida.
Fiz os cartões, e usei um critério objetivo para as destinatárias: aquelas que estariam na festa daquele domingo de 1992, e eram mães. Minha avó Dorinha me ajudava com as tias mais velhas que eu não sabia se tinham ou não filhos. E assim eu fiz vários cartões, não sei quantos. Perto da data, orgulhosa de mim mesma, fui mostrar a surpresa para a minha grande amiga e cobaia nas minhas coreografias que eu insistia em inventar e ensaiar todas as noites, a minha madrinha.
Eu espera agradar pelo gesto fofo e singular que estava praticando, mas provavelmente, eu queria mais era fazer propaganda da minha própria concepção que agradar às mães. Sabe aquele altruísmo egoísta próprio de artistas? Já havia um embrião disso tudo naquela época. Só que a minha Dinha ao olhar os cartões me repreendeu: “Como você não fez para sua Dindinha? Eu sou quase uma mãe pra você?”. E ela falava a verdade. Naquela época, ela praticamente morava na minha casa, e cuidava de mim como uma filha. Eu não tinha feito para ela, porque na época, ela devia ter a minha idade hoje e não era mãe. Foi uma dura lição que aprendi sobre usar critérios objetivos e excludentes, e na faculdade de Direito, anos mais tarde, eu tentava mudar esse tipo de classificação ao me dedicar a estudar o Direito Alternativo e essas coisas que não tem futuro. Aprendi também naquele dia que nem sempre se agrada com o que fazemos, e fiquei realmente triste de não ter feito para a minha dindinha. Resolvi, então, não entregar a ninguém aqueles cartões. Guardei na gaveta e levei anos para mostrar para qualquer outra pessoa os poemas que fazia.
Anos mais tarde, na adolescência, eu também com medo de que alguém lesse os meus poemas que eu havia escrito na tenra idade dos 12, 13 e 14 anos, apaguei o disquete que há anos eu colocava tudo que eu escrevia, perdendo para sempre os poemas apaixonados dos amores fugazes e platônicos daqueles anos. Depois, com medo do meu namorado ciumento, escondi meu caderno poemas dentro do cesto de roupa suja, para ele não ver que eu continuava a escrever para o ex. Meus poemas sempre ficaram assim, em gavetas e armários temendo a crítica.
Ano passado, arrumando uma gaveta encontrei desenhos de quando eu era criança e lá estavam os cartões. Eu havia esquecido dessa história, mas no momento em que olhei aquele coração com versos, lembrei de tudo. Hoje escrevo versos na internet, resolvi publicar tudo que crio, não porque me acho o máximo, mas porque poemas na gaveta são como ressentimentos e auto-repressão guardadas. Não quero isso, quero dançar como dançava quando era criança e todo mundo achava engraçadinho. Quero dançar palavras.
Hoje, a mesma Dinha, que hoje tem uma filha que eu amo muito, veio me ver e reclamou enquanto eu estou aqui escrevendo esse texto: “Você nem me deu feliz dia das mães”. Ainda bem que hoje, minhas gavetas estão abertas.
Numa data tão importante, há uns dezessete anos atrás, nossa eu to velha... Mas há anos atrás eu resolvi fazer uma grande surpresa para o dia das mães. Era uma grande coisa para mim, eu que sempre fui tímida, quieta, resolvi entregar cartões para todas as mães da minha família. Para isso, fiz uns versinhos bobos de menina de oito anos que rimava amor com flor e alguma coisa sobre mãe, mas que para mim, era um grande acontecimento, já que eu iria mostrar pela primeira vez os meus versos publicamente. Aqueles cartões de dia das mães eram a minha primeira publicação, nunca eu tinha mostrado para ninguém as coisas que eu escrevia, que naquela época, não deviam ser muitas.
Não só fiquei encarregada dos versos, mas era responsável pela concepção do agrado, e fiz todo design, que constituía em uma folha A4 que cortada ao meio (a cada folha eu fazia 2) com um coração no meio, com os versos dentro do coração, e pintei em volta com lápis de cor. Em baixo, tinham duas linhas, uma eu escrevia o meu nome e na de baixo o nome da mãe que receberia, num estilizado De Para. Estava muito orgulhosa de mim, eu não só tive coragem de me mostrar artisticamente, como assumi a minha falta de jeito para pintar e desenhar e a minha letra feia, que sempre foi um problema para mim.
Não sei que ímpeto de coragem foi esse, de me mostrar tanto de uma vez só. Eu já dançava, me apresentava em vários lugares com “as meninas do Jazz”, mas não tinha coragem de mostrar nada além do meu rebolado, mas naquele ano, seria diferente, fui com a cara e a coragem e sem medo de ser feliz ou usar clichês. O poema era “Mãe, nome de amor, mulher de magia, e toda mãe é uma flor”. Ou alguma coisa parecida.
Fiz os cartões, e usei um critério objetivo para as destinatárias: aquelas que estariam na festa daquele domingo de 1992, e eram mães. Minha avó Dorinha me ajudava com as tias mais velhas que eu não sabia se tinham ou não filhos. E assim eu fiz vários cartões, não sei quantos. Perto da data, orgulhosa de mim mesma, fui mostrar a surpresa para a minha grande amiga e cobaia nas minhas coreografias que eu insistia em inventar e ensaiar todas as noites, a minha madrinha.
Eu espera agradar pelo gesto fofo e singular que estava praticando, mas provavelmente, eu queria mais era fazer propaganda da minha própria concepção que agradar às mães. Sabe aquele altruísmo egoísta próprio de artistas? Já havia um embrião disso tudo naquela época. Só que a minha Dinha ao olhar os cartões me repreendeu: “Como você não fez para sua Dindinha? Eu sou quase uma mãe pra você?”. E ela falava a verdade. Naquela época, ela praticamente morava na minha casa, e cuidava de mim como uma filha. Eu não tinha feito para ela, porque na época, ela devia ter a minha idade hoje e não era mãe. Foi uma dura lição que aprendi sobre usar critérios objetivos e excludentes, e na faculdade de Direito, anos mais tarde, eu tentava mudar esse tipo de classificação ao me dedicar a estudar o Direito Alternativo e essas coisas que não tem futuro. Aprendi também naquele dia que nem sempre se agrada com o que fazemos, e fiquei realmente triste de não ter feito para a minha dindinha. Resolvi, então, não entregar a ninguém aqueles cartões. Guardei na gaveta e levei anos para mostrar para qualquer outra pessoa os poemas que fazia.
Anos mais tarde, na adolescência, eu também com medo de que alguém lesse os meus poemas que eu havia escrito na tenra idade dos 12, 13 e 14 anos, apaguei o disquete que há anos eu colocava tudo que eu escrevia, perdendo para sempre os poemas apaixonados dos amores fugazes e platônicos daqueles anos. Depois, com medo do meu namorado ciumento, escondi meu caderno poemas dentro do cesto de roupa suja, para ele não ver que eu continuava a escrever para o ex. Meus poemas sempre ficaram assim, em gavetas e armários temendo a crítica.
Ano passado, arrumando uma gaveta encontrei desenhos de quando eu era criança e lá estavam os cartões. Eu havia esquecido dessa história, mas no momento em que olhei aquele coração com versos, lembrei de tudo. Hoje escrevo versos na internet, resolvi publicar tudo que crio, não porque me acho o máximo, mas porque poemas na gaveta são como ressentimentos e auto-repressão guardadas. Não quero isso, quero dançar como dançava quando era criança e todo mundo achava engraçadinho. Quero dançar palavras.
Hoje, a mesma Dinha, que hoje tem uma filha que eu amo muito, veio me ver e reclamou enquanto eu estou aqui escrevendo esse texto: “Você nem me deu feliz dia das mães”. Ainda bem que hoje, minhas gavetas estão abertas.
sábado, 9 de maio de 2009
Amor em espécie
Não trabalho com crédito,
débito, ou acordo.
Nesse pregão onde coloco
meu coração em risco,
aceito apenas
Amor em espécie.
Mas por hoje,
posso ficar com
esse título firmado
na verborragia
silenciosa
dos nossos olhares.
débito, ou acordo.
Nesse pregão onde coloco
meu coração em risco,
aceito apenas
Amor em espécie.
Mas por hoje,
posso ficar com
esse título firmado
na verborragia
silenciosa
dos nossos olhares.
sábado, 2 de maio de 2009
Cheguei em casa.
Encontrei a sua cara
Amassada de dormir
Olhos pequenos de remela
e lágrimas de sono.
Um sorriso.
Meu coração acelerava
Mais que a formula 1
Na TV de madrugada
– um café?
– não.
Quero apenas
Deitar, rolar na cama e,
querendo, sem querer,
subir em você,
beijar o canto esquerdo
da sua boca,
encostar o meu nariz
no teu
e dizer: “boa noite, moço”,
sorrir
e depois dormir
cheirando o teu pescoço.
Encontrei a sua cara
Amassada de dormir
Olhos pequenos de remela
e lágrimas de sono.
Um sorriso.
Meu coração acelerava
Mais que a formula 1
Na TV de madrugada
– um café?
– não.
Quero apenas
Deitar, rolar na cama e,
querendo, sem querer,
subir em você,
beijar o canto esquerdo
da sua boca,
encostar o meu nariz
no teu
e dizer: “boa noite, moço”,
sorrir
e depois dormir
cheirando o teu pescoço.
quarta-feira, 29 de abril de 2009
O feminino e o caos
Parcelo as minhas dores
em poemas a perder de vista.
Você pede calma,
me manda ser tranquila
eu explico que nunca vi controle
reinando
na metade fêmea do artista.
em poemas a perder de vista.
Você pede calma,
me manda ser tranquila
eu explico que nunca vi controle
reinando
na metade fêmea do artista.
domingo, 26 de abril de 2009
Cauby, Garrel e Tecnicolor
Chorar até as lágrimas molharem o pescoço .Acordar com aquele olho inchado, não comer, não dormir, desligar o telefone. Depois, perceber que era mais uma egotrip descontrol e voltar à vida sem nenhuma seqüela. Quantas mulheres já não fizeram isso. Ouvir Cauby, escrever cartas para não entregar, e na segunda-feira se entregar sem medo à própria rotina, como depois de um sonho ruim. Queria entender a necessidade dessas viagens ao inferno que algumas vezes fazemos, sem muita necessidade. Serão os hormônios, ou a nossa necessidade de encontrar os próprios demônios? Não sei. Mas sei que essas viagens clareiam um pouco a nossa percepção, nos fazem pensar em coisas que não pensaríamos normalmente.
Assisti “A fronteira da Alvorada” de Phillippe Garrel e provavelmente foi o que desencadeou essa egotrip novinha em folha. O filme fala sobre várias facetas do amor e da felicidade. A felicidade burguesa aparece como meta e ao mesmo tempo motivo de fuga. O amor romântico e o amor doentio desfilam nos mais lindos tons de cinza da fotografia. Nada é total, nenhuma felicidade é plena. Essas são as lentes da nossa geração complicada, que não luta por nenhum objetivo coletivo e acaba um pouco perdida nos desígnios incertos do amor, que parece ser o único tema universal que ainda prevalece.
Depois dessa, prefiro voltar aos anos 50, ver uns musicais com o Fred Astaire e me isolar no Tecnicolor. Não há crise ao som de Cole Porter, esse sim, atemporal.
Assisti “A fronteira da Alvorada” de Phillippe Garrel e provavelmente foi o que desencadeou essa egotrip novinha em folha. O filme fala sobre várias facetas do amor e da felicidade. A felicidade burguesa aparece como meta e ao mesmo tempo motivo de fuga. O amor romântico e o amor doentio desfilam nos mais lindos tons de cinza da fotografia. Nada é total, nenhuma felicidade é plena. Essas são as lentes da nossa geração complicada, que não luta por nenhum objetivo coletivo e acaba um pouco perdida nos desígnios incertos do amor, que parece ser o único tema universal que ainda prevalece.
Depois dessa, prefiro voltar aos anos 50, ver uns musicais com o Fred Astaire e me isolar no Tecnicolor. Não há crise ao som de Cole Porter, esse sim, atemporal.
quarta-feira, 22 de abril de 2009
Dia de Folga
Hoje de manhã
li o jornal,
lavei os sapatos,
esfreguei as bolsas,
arrumei as gavetas.
À tarde fui ao médico
ao DETRAN,
passei nos Correios,
liguei para o advogado
e para a Prefeitura.
À noite peguei um cineminha.
Juro, nunca me senti tão livre
Em toda minha vida.
li o jornal,
lavei os sapatos,
esfreguei as bolsas,
arrumei as gavetas.
À tarde fui ao médico
ao DETRAN,
passei nos Correios,
liguei para o advogado
e para a Prefeitura.
À noite peguei um cineminha.
Juro, nunca me senti tão livre
Em toda minha vida.
sábado, 18 de abril de 2009
Boleros nossos versos são banais
Pra você eu fico assim
Escrevendo letras de bolero
Sem melodia ou dança
Apenas aquela coisa de
Rimar amor com dolor
Sufrir com morir
E aquela fossa conhecida
Exímia bailarina,
Que vai de papel pra mim.
Escrevendo letras de bolero
Sem melodia ou dança
Apenas aquela coisa de
Rimar amor com dolor
Sufrir com morir
E aquela fossa conhecida
Exímia bailarina,
Que vai de papel pra mim.
quarta-feira, 15 de abril de 2009
Click
Ontem no almoço com amigos, um amigo disse que gostaria de congelar um pouco a sua vida. Dar um pause e não simplesmente o stop, que seria segundo ele, muito dramático. Eu acho que a gente consegue esses recursos normalmente, só um pouco de imaginação, é possível paralisar a vida, passar rápido, fazer replay, até andar para trás. Não to falando do controle do Adam Sandler, é só ser um pouco mais atento e saber a maneira que se quer viver. O problema é que a maioria do tempo a gente deixar rolar, como um fluxo televisivo ao vivo com uma câmera e sem edição.
Dos recursos possíveis, o que eu queria me interessa mesmo é a trilha sonora, passar algumas cenas em slow motion e corte seco nos engarrafamento. Isso é difícil, mas mesmo assim, dá pra improvisar. Andar sempre com um mp3 player, prestar muita atenção nos momentos importantes e levar um bom livro enquanto espero no trânsito são alternativas. Mesmo o fluxo ao vivo pode ter uma mesa de corte. A gente pode editar da maneira que quisermos é só realmente querermos algo.
Dos recursos possíveis, o que eu queria me interessa mesmo é a trilha sonora, passar algumas cenas em slow motion e corte seco nos engarrafamento. Isso é difícil, mas mesmo assim, dá pra improvisar. Andar sempre com um mp3 player, prestar muita atenção nos momentos importantes e levar um bom livro enquanto espero no trânsito são alternativas. Mesmo o fluxo ao vivo pode ter uma mesa de corte. A gente pode editar da maneira que quisermos é só realmente querermos algo.
domingo, 12 de abril de 2009
Romantismos
Queria me permitir
sonhar o sonho
careta feminino:
amar e ser amada
casar e ter filhos.
Mas não é o meu tipo.
Sonho e procuro
sempre
a utopia de um
amor
quase perdido.
PS: Não será essa também
uma faceta
do mesmo feminino
careta?
sonhar o sonho
careta feminino:
amar e ser amada
casar e ter filhos.
Mas não é o meu tipo.
Sonho e procuro
sempre
a utopia de um
amor
quase perdido.
PS: Não será essa também
uma faceta
do mesmo feminino
careta?
Angústia
Não sei o que acontece e qual a finalidade de se acordar no meio da noite com uma angústia sem fim depois de um sonho ruim. Eu corri para cá, para escrever, quem sabe eu não consigo algo bom, quem sabe eu não me acalmo e tudo passa. Mas que sentimento louco que um sonho louco desencadeia. Os sonhos normalmente mostram pra gente o que precisamos ver, seja por algum desejo não realizado, seja algum sentimento escondido. Mas juro que preferia estar dormindo como um anjo. Já vi que literatura esse sonho não rende, nem auto-análise. Me entrego rendida apenas pela vontade louca e ininteligível de se publicar sentimentos. Por que isso?
sexta-feira, 10 de abril de 2009
Ventania
A solidao já não
me agrada.
Ouço os passos
na escada.
Não são seus.
Apenas meu desejo
me faz sala
nessa casa.
Abandonada
como eu.
me agrada.
Ouço os passos
na escada.
Não são seus.
Apenas meu desejo
me faz sala
nessa casa.
Abandonada
como eu.
Sobre blogs
Continuando na minha ego trip, transformando o que é privado em público, me pergunto quem teria paciência de ler texto tão reflexivos, auto-conscientes, numa palavra, narcisistas? Acho que o blog não é apenas uma ferramenta para se expor publicamente, mas principalmente, uma espécie de possibilidade de se expor para si mesmo, uma espécie de auto-análise que aqueles que gostam de escrever embarcam. Uma mistura de mídia, literatura e Freud.
quinta-feira, 9 de abril de 2009
Inúmeras possibilidades que o universo apresenta. Não é papo de doidão não, mas percebo que a cada meia hora de vida uma pessoa muito talentosa consegue extrair um roteiro de longa. Continuando a ego trip...
estava eu aqui em casa, esperando a minha manicure chegar. Não sou do tipo que espera a manicure chegar, mas enfim, um dia conto a história, minha manicure é uma figuraça. E ela chegou com seu filhinho de 1 ano com o rosto pintado de coelho da Páscoa. Ela fazia a minha unha e o menininho derrubava tudo ao nosso redor. Quando ela pintava os meus pés, me lembrei que hoje comemoramos a última ceia e o ritual do lava-pés, na cultura cristã. E lá estava ela, mais que lavando meus pés, mas embelezando-os. Pensei o que nos une é muito além dessa prestação de serviço que se dá toda quinta-feira. A gente conversa e hoje ela trouxe o filho para conhecer "a tia". E eu, queijomaníaca, dei queijo para o menino comer pela primeira vez, e fiz mais uma vítima. O menininho de 1 ano grudou nessa droga alternativa feita de leite.
A gente divide o nosso tempo. Sua forma de ver a vida, seu bom-humor acabam fazendo parte da minha vida, até de maneira inconsciente. Mas tenho certeza de que também convivo com ela, além desse momento semanal. Ai, como queria escrever um roteiro sobre uma história parecida, que fosse diferente dos filmes que já foram feitos sobre o tema. Sei lá, um Caçador de Pipas, menos fábula e menos inferno, sobretudo, feminino.
A unha atrasou e fui para o mercado, enrolada, bati com o carrinho do vizinho, na verdade, nunca fui motorista que se preze. O cara sorriu pra mim e eu pensei que poderia estar numa daquelas crônicas engraçadíssimas do Veríssimo, onde os diálogos surpreendentes simplesmente brotam. Mas abaixei o rosto e segui pelas gôndolas. Encontrei de novo com o cara perto dos vinhos e me dei conta que não, não era uma crônica do Veríssimo, talvez, uma comédia romântica, uma série americana, eis que ele pergunta:
_ Comprando vinho pra Páscoa?
Meu Deus, hoje é quinta-feira e esse cara tá comprando vinho para o domingo???? Não tive outra alternativa a não ser responder.
_Não
_ Ah, tá... Por que então?
_ Coisa de bêbado
Achei ele intruso e a única maneira de responder foi como se estivesse num filme noir. Me senti o Bogart prestes a dar uma baforada e fiquei muito feliz com isso. Abandonei o abusadinho com um vinho na mão e querendo saber sobre a qualidade da marca.
Voltei para casa. No caminho, uma gangue de menininhos-mau-encarados-zona-sul-de-niterói. Mesmo assim fiquei com medo. Mulher, sozinha se sente desprotegida, ainda mais quando eles tinham pedaços de pau na mão. Andaram atrás de mim por uns 10 minutos, mas nada aconteceu. Mais um gênero cinematográfico a se explorar, mais um roteiro perdido. Esse podia, na verdade, estar até naquele primeiro filme que não escrevi, o sobre mulheres, e contratar mostrando também esse universo masculino.
Onde está o gênio perdido que não escreve todas essas histórias enquanto seguimos a nossa rotina banal. Como se escreve o Anjo Exterminador, Antes do pôr-do-sol, Quanto mais quente melhor, No silêncio da noite e tantas outras maravilhas por aí. Quantas não estão perdidas, porém, sugeridas por toda a parte.
Lamento eu não ser o Carrière e tirar pérolas do nariz do dia a dia.
estava eu aqui em casa, esperando a minha manicure chegar. Não sou do tipo que espera a manicure chegar, mas enfim, um dia conto a história, minha manicure é uma figuraça. E ela chegou com seu filhinho de 1 ano com o rosto pintado de coelho da Páscoa. Ela fazia a minha unha e o menininho derrubava tudo ao nosso redor. Quando ela pintava os meus pés, me lembrei que hoje comemoramos a última ceia e o ritual do lava-pés, na cultura cristã. E lá estava ela, mais que lavando meus pés, mas embelezando-os. Pensei o que nos une é muito além dessa prestação de serviço que se dá toda quinta-feira. A gente conversa e hoje ela trouxe o filho para conhecer "a tia". E eu, queijomaníaca, dei queijo para o menino comer pela primeira vez, e fiz mais uma vítima. O menininho de 1 ano grudou nessa droga alternativa feita de leite.
A gente divide o nosso tempo. Sua forma de ver a vida, seu bom-humor acabam fazendo parte da minha vida, até de maneira inconsciente. Mas tenho certeza de que também convivo com ela, além desse momento semanal. Ai, como queria escrever um roteiro sobre uma história parecida, que fosse diferente dos filmes que já foram feitos sobre o tema. Sei lá, um Caçador de Pipas, menos fábula e menos inferno, sobretudo, feminino.
A unha atrasou e fui para o mercado, enrolada, bati com o carrinho do vizinho, na verdade, nunca fui motorista que se preze. O cara sorriu pra mim e eu pensei que poderia estar numa daquelas crônicas engraçadíssimas do Veríssimo, onde os diálogos surpreendentes simplesmente brotam. Mas abaixei o rosto e segui pelas gôndolas. Encontrei de novo com o cara perto dos vinhos e me dei conta que não, não era uma crônica do Veríssimo, talvez, uma comédia romântica, uma série americana, eis que ele pergunta:
_ Comprando vinho pra Páscoa?
Meu Deus, hoje é quinta-feira e esse cara tá comprando vinho para o domingo???? Não tive outra alternativa a não ser responder.
_Não
_ Ah, tá... Por que então?
_ Coisa de bêbado
Achei ele intruso e a única maneira de responder foi como se estivesse num filme noir. Me senti o Bogart prestes a dar uma baforada e fiquei muito feliz com isso. Abandonei o abusadinho com um vinho na mão e querendo saber sobre a qualidade da marca.
Voltei para casa. No caminho, uma gangue de menininhos-mau-encarados-zona-sul-de-niterói. Mesmo assim fiquei com medo. Mulher, sozinha se sente desprotegida, ainda mais quando eles tinham pedaços de pau na mão. Andaram atrás de mim por uns 10 minutos, mas nada aconteceu. Mais um gênero cinematográfico a se explorar, mais um roteiro perdido. Esse podia, na verdade, estar até naquele primeiro filme que não escrevi, o sobre mulheres, e contratar mostrando também esse universo masculino.
Onde está o gênio perdido que não escreve todas essas histórias enquanto seguimos a nossa rotina banal. Como se escreve o Anjo Exterminador, Antes do pôr-do-sol, Quanto mais quente melhor, No silêncio da noite e tantas outras maravilhas por aí. Quantas não estão perdidas, porém, sugeridas por toda a parte.
Lamento eu não ser o Carrière e tirar pérolas do nariz do dia a dia.
tempo tempo tempo tempo
Continuando essa ego trip, metrô ao meio dia numa quarta-feira. Mais meio da semana impossível, e para completar, não estava nem cheio nem vazio. Entrei. Só tinham dois lugares sobrando que deixei para um senhor sentar primeiro, e depois me sentei ao seu lado. Olhei para os lados e queria saber como estavam as coisas ao meu redor. A impressão era de que a vida seguia igual, sem novidades, pessoas ensimesmadas em suas rotinas como que esperando nada além daquele caminhar interrompido vez ou outra do trem. Olhei e ao olhar para o meu lado direito, bem onde estava aquele senhor que chegou junto comigo, vi o seu imponente relógio digital. Tenho uma mania horrorosa de querer olhar os relógios alheios. Nunca usei relógios, talvez, quando eu era criança e ganhei um relógio que trocava de pulseiras, eu devo ter usado todas as pulseiras pelo menos uma semana. Mas essa é a minha experiência mais próxima de calcular o tempo, nunca fui atleta e por isso, nunca tive recordes a quebrar. Além de que, eu morava com a minha avó, que não tinha e não tem tempo para nada, ou seja, seu tempo nunca acaba. Seu caminhar, suas atividades, sua órbita transita em um tempo diferente do relógio, que, diga-se de passagem, é totalmente arbitrário, imposto. Minha vó não, minha avó nunca se submeteu a esse tempo cronológico e sempre foi no passo que lhe conviesse, o que me fez treinar, criança ansiosa, de que é preciso paciência para esperar alguém tão original. Por isso, me obrigo a calcular o tempo com a minha percepção de tempo e talvez por isso, eu esteja sempre atrasada, mesmo que às vezes eu saiba exatamente quantos minutos passaram
Mas naquela quarta-feira no metrô, eu olhei mais uma vez para aquele relógio alheio. Olhei por curiosidade, para saber a hora. Olhei e me dei conta que não tinha a hora e sim, um cronômetro que marcava 1minuto e 25 segundos. Esse tempo era provavelmente o tempo que o metrô tinha saído de Copacabana. Ou seja, aquele senhor que sentou ao meu lado, zerou o cronometro no momento em que o trem saiu da plataforma. À primeira vista, me assustou ver aqueles milésimos de segundo correndo no visor, fazendo os segundos parecerem lentos, ver como o fluxo do tempo não para e que a vida se escorre nessa rapidez, como numa ampuleta. Depois, fiquei me perguntando, por que aquele senhor de bermudas e havaiana queria cronometrar o tempo, da zona sul aonde quer que seja. Pra quê? Será que lhe interessam problemas matemáticos, ou físicos, aceleração, essas coisas que não penso desde o vestibular? Não parecia.
Já pensei sobre a nossa vida encatracada e essa necessidade de alimentar a máquina na hora certa, passar o cartão para entrar no trabalho, colocar o bilhete na catraca antes da barca sair, olhar a hora e partir para a aula, esperar um pouco e só ir embora quando a catraca marcar exatamente sua jornada diária. Mas colocar uma catraca no pulso e passar a viver em função dela, foi um soco na consciência, e quase um acelerador automático para perceber a vida.
Mas aquele senhor de bermudas provavelmente pensava diferente, parecia que ao saber cada segundo do seu caminhar, se sentia Senhor do tempo e Senhor de si próprio. Como se olhando o relógio e seguindo em frente pudesse controlar cada segundo solto de sua longa vida. Será que ele fazia isso há muito tempo em relógios de ponteiro e cordas, será que foi um hábito que ganhou com a idade, será por algum problema de saúde, controlar o coração, quem sabe? Nessa divagação toda, percebi que ele se incomodava ao me ver olhando para o seu relógio. Como se o seu relógio fosse poder unicamente seu, e mais ninguém poderia controlar o seu tempo.
Tentei disfarçar, mas já tinha virado uma obsessão saber a diferença entre cada estação. Botafogo 4’28”, Largo do Machado 8’46’’e assim, sempre que ele percebia que eu olhava o relógio, colocava-o fora do meu alcance, e fazia os segundos parecerem eternos. Ao chegar na Cinelândia, ele correu e saiu por outra porta, guardando a informação derradeira que só cabia a ele: a odisséia até o centro num dia normal num metrô normal e sua duração normal. E eu atrasei o passo, olhei os relógios malucos da cidade e voltei a perceber o mundo onde o tempo é contado pelas diferentes músicas e pensamentos que passam na minha cabeça
Mas naquela quarta-feira no metrô, eu olhei mais uma vez para aquele relógio alheio. Olhei por curiosidade, para saber a hora. Olhei e me dei conta que não tinha a hora e sim, um cronômetro que marcava 1minuto e 25 segundos. Esse tempo era provavelmente o tempo que o metrô tinha saído de Copacabana. Ou seja, aquele senhor que sentou ao meu lado, zerou o cronometro no momento em que o trem saiu da plataforma. À primeira vista, me assustou ver aqueles milésimos de segundo correndo no visor, fazendo os segundos parecerem lentos, ver como o fluxo do tempo não para e que a vida se escorre nessa rapidez, como numa ampuleta. Depois, fiquei me perguntando, por que aquele senhor de bermudas e havaiana queria cronometrar o tempo, da zona sul aonde quer que seja. Pra quê? Será que lhe interessam problemas matemáticos, ou físicos, aceleração, essas coisas que não penso desde o vestibular? Não parecia.
Já pensei sobre a nossa vida encatracada e essa necessidade de alimentar a máquina na hora certa, passar o cartão para entrar no trabalho, colocar o bilhete na catraca antes da barca sair, olhar a hora e partir para a aula, esperar um pouco e só ir embora quando a catraca marcar exatamente sua jornada diária. Mas colocar uma catraca no pulso e passar a viver em função dela, foi um soco na consciência, e quase um acelerador automático para perceber a vida.
Mas aquele senhor de bermudas provavelmente pensava diferente, parecia que ao saber cada segundo do seu caminhar, se sentia Senhor do tempo e Senhor de si próprio. Como se olhando o relógio e seguindo em frente pudesse controlar cada segundo solto de sua longa vida. Será que ele fazia isso há muito tempo em relógios de ponteiro e cordas, será que foi um hábito que ganhou com a idade, será por algum problema de saúde, controlar o coração, quem sabe? Nessa divagação toda, percebi que ele se incomodava ao me ver olhando para o seu relógio. Como se o seu relógio fosse poder unicamente seu, e mais ninguém poderia controlar o seu tempo.
Tentei disfarçar, mas já tinha virado uma obsessão saber a diferença entre cada estação. Botafogo 4’28”, Largo do Machado 8’46’’e assim, sempre que ele percebia que eu olhava o relógio, colocava-o fora do meu alcance, e fazia os segundos parecerem eternos. Ao chegar na Cinelândia, ele correu e saiu por outra porta, guardando a informação derradeira que só cabia a ele: a odisséia até o centro num dia normal num metrô normal e sua duração normal. E eu atrasei o passo, olhei os relógios malucos da cidade e voltei a perceber o mundo onde o tempo é contado pelas diferentes músicas e pensamentos que passam na minha cabeça
Ego trip
Por que ter um blog, porque transformar parte dos meus diários que guardo às 7 chaves, exposto para qualquer um na internet, por que essa ego trip descontrol? Digo apenas sim, Eu quero sims eu amo Sims, como disse James Joyce.
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